13
Jan

Vídeo Activistas

A câmara tornou-se uma ferramenta que se deve levar para uma manifestação.
Os grupos Indymedia (formados a partir das manifestações de Seattle) são parte fundamental das redes alterglobais. O objectivo principal dos vídeo-activistas e dos media activistas é desafiar os media oficiais e dar a conhecer acontecimentos que
seriam marginalizados das “agendas” dos órgãos de comunicação social institucionais.
Outra função importante, é impedir ou testemunhar abusos policiais durante as manifestações.
Este tipo de acção militante tornou-se possível por duas circunstâncias principais:

1. O embaratecimento dos aparelhos de filmar, dos computadores e softwares de montagem.

2. O aparecimento da internet e a vulgarização da banda larga. Estas alterações tecnológicas tornaram mais abstrusas os monopólios privados e estatais da difusão da comunicação e permitiram colocar alguns grãos de areia nesta engrenagem tentacular que são os grandes grupos de comunicação. Por todo o mundo começaram a vulgarizar-se sites de vídeo-activistas que exibem pequenos filmes e documentários. Os primeiros exemplos mais conhecidos são os filmes Breaking the Bank , sobre as manifestações em Washington contra o Banco Mundial que se realizaram em 2000, e o Showdown in Seattle , sobre as manifestações contra a Cimeira do Milénio da OMC, realizadas em Seattle, no ano de 1999. Em Portugal, um dos primeiros exemplos do género foi o documentário Era uma vez um arrastão dirigido pela jornalista Diana Andringa sobre a criação pela comunicação social de um assalto gigantesco que teria sido feito por moradores dos subúrbios na praia de Carcavelos, a que se deu o nome de “Arrastão”. Estes novos instrumentos tecnológicos abrem novas perspectivas de mobilização e comunicação aos activistas. Com a internet e a multiplicação de pequenas câmaras nas mãos dos militantes é possível reagir em tempo real a determinados acontecimentos e situações. Outra experiência, interessante em zonas de contra-cultura é a proliferação de vblogs (vídeo blogs), tendo alguns deles alcançado um sucesso muito grande: por exemplo o noticiário diário do Rocketboom era visto por mais de 3 milhões de pessoas, por dia, está neste momento interrompido pela saída da sua apresentadora Amanda Congdon. Todas estas novas possibilidades, tendem a criar uma informação estruturalmente diferente, em que as pessoas não se dividem entre espectadores e actores, em que não existe uma hierarquia, mas que é possível fazer uma acção mediática em que todos podemos participar em igualdade e que todos possamos fazer parte de uma rede, em que às vezes “falamos” outras “ouvimos”. Para este “contágio” mediático e subversor, é muito importante um determinado número de organizações que funcionam como uma espécie de “tradutores”, que tornam acessíveis ao maior número de pessoas a aprendizagem destes instrumentos mediáticos.

Aqui ficam alguns nomes, para além da Indymedia, Paper Tiger Television , Whispered Media , Big Noise Filmes .

Para saber mais, pode-se ler:
- The Video Activist Handbook , de Thomas Harding - Guêrrilla Kit , de Morjane Baba - Comment Manipuler les Médias , de Patrik Farbiaz

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